The Three Times Theory – Por Laura Henriques

Coluna da Bonitona

The Three Times Theory (ou, a Teoria do Tente Três)

Sabe aquela história de “um é pouco, dois é bom, três é demais”? Então. É a mais pura verdade e, nos casos amorosos, rebatizei-a de “Three Times Theory” (porque fica legal assim em inglês, né?) ou, simplesmente, Teoria do Tente Três (tentando manter os “T”s do começo).

Uma amiga me disse, com a maior sabedoria do mundo, que não achava justo descartar ninguém de primeira e, desde então, constatei que ela estava corretíssima. Constatei, após inúmeros casos, meus e de amigas, que quase tudo na vida amorosa é péssimo na primeira vez. Quem é que vai, em sã consciência, falar que o primeiro beijo que você dá num moço é o melhor beijo de vocês dois, quando vocês alongam a história?

A seu favor, as primeiras vezes tem aquele frio na barriga do inédito (e, porque não, do ansiado), mas, em seu prejuízo, tem também uma dose de tensão e de expectativa. Se a gente não sabe o que espera do outro, ou o que o outro espera da gente, fica difícil relaxar e, quando se percebe, estamos fazendo tudo do jeito mais seguro (neutro, impessoal) possível.

A gente quer química de filme, de preferência com alguém igual ao Ryan Gosling ou ao Jake Gyllenhaal (cujo charme é proporcional à dificuldade de escrever este sobrenome, na minha opinião), logo no primeiro beijo, no primeiro encontro. Mas sabe, dar certo demanda intimidade e isso só acontece com o tempo. Porém, encontros costumam ser como aquela propaganda de aparelho de barbear de 3 lâminas, que quem é da minha geração deve se lembrar, “a primeira faz tchan, a segunda faz tchan e a terceira faz tchan, tchan, tchan, tchaaaaan!”.

Obviamente, existem casos catatônicos de primeiras vezes sensacionais e, mesmo assim, elas costumam indicar uma das duas seguintes coisas: primeira, que você achou um top de linha e, neste caso, a primeira terá sido ruim, considerando as próximas vezes que tendem a ser miraculosas; segundo, que você estava bêbada e com seu senso de avaliação prejudicado. Ou uma mistura de ambos os fatores.

Também é claro que há fatores que merecem eliminação imediata do pretendente, como o caso de um conhecido meu que, ao chegar numa senhorita, soltou um silencioso, mas mortalmente fedorento, pum. Nesses casos de tremenda deselegância e elevado grau alcóolico, acho que vale o descarte. Mais um exemplo evidente é o do candidato tem bafo (mas não um bafo específico, se vocês estiverem comendo pão de alho), mas aquele retrobafo de origem, que emana do íntimo do ser, mesmo depois de você entupi-lo de coca-cola com halls preto. Ai não dá.

Agora, se o papo é ótimo, a conversa rende, vocês riem, combinam e ele é um “fofooooo” (quando você conta pras amigas do whatsapp sobre o encontro), mas o beijo ainda não tudo de bom de imediato, acredito que vale insistir. Sempre falo com minhas amigas: você já tentou três vezes? Se não, nem discuto o caso, a menos que seja para achar soluções de ordem prática (fala que você não gosta que morda seu queixo, avisa que não precisa mexer tanto a língua tipo um ventilador, nem passar a mão oleosa freneticamente no seu cabelo), enfim, pequenas sutilezas – só que ao contrário – que podem fazer maravilhas pelo seu futuro relacionamento. Pode ser que você tenha encontrado seu diamante bruto, e tenha que investir um certo trabalho lapidando-o.

Os estágios do relacionamento evoluem, mas a regra persiste: depois de três encontros, três finais de semana juntos, três, hum, digamos, pernoites, é que você pode ter um juízo de valor e, nesse caso, ainda que opte por tirar seu time de campo, após esta “melhor de três” terá vencido o jogo, pois uma decisão consistente e embasada é muito melhor do que um “e se eu tentasse mais” assombrando as noites solitárias.

O mais engraçado é perceber que o ditado é ambíguo, mas sempre verdadeiro: um é sempre pouco, dois é sempre ok e três sempre vai ser demais, mas o demais pode ser “chega” (como a última gota) ou pode ser o máximo (como, mineiramente, “bom demais da conta”).

Por Laura Henriques

 

8 comments

  1. Nossa, adoro os seus textos, sempre escreve incrivelmente bem e consegue traduzir em palavras todas as minhas opiniões, não só as minhas, acredito que seja a da mulherada! Estou esperando o terceiro T com o meu novo paquera. Já o conhecia, mas não estava interessada em ficar com ele… A insistência dele, que na verdade, já estava começando a achar chata, um orgulho ferido por causa de um ex paquera, além de saber que ele é um cara legal, me animaram a dá-lo uma chance! E exatamente por ir sem expectativa, numa tentativa louca de amenizar uma dor de cotovelo, fadada ao fracasso (meu bom senso foi passear nesse dia), sem a famosa dose de tensão e nervosismo e carregada de mim mesma, e que ao contrário de todos os meus outros encontros, não fui me mostrando em doses homeopáticas, e sim de uma vez, como quem puxa o curativo da ferida rapidamente sem medo da dor, como se eu estivesse inteiramente nua e despida de todo o mix de sentimentos e ansiedade que antecedem um encontro, e tão EU, que foi SENSACIONAL! Simplesmente saí para um encontro, como se estivesse saindo para jantar com o meu melhor amigo, sem importar com qualquer julgamento que pudesse fazer de mim, ou numa ânsia louca em agradar e vontade que desse certo, que tudo ocorreu como se estivéssemos num filme! Bebemos, conversamos, sorrimos, conversamos, dançamos, beijamos, conversamos, conversamos e conversamos… Nosso segundo encontro foi bom, não sensacional… Talvez por ser difícil superar o primeiro, ou porque a sementinha do interesse já foi plantada em mim… Estou a espera do próximo convite e que tenhamos ótimos momentos… Defeitos ele tem aos montes, assim como eu, e estou a espera do T3 para saber se consigo superá-los, e termos o T4, T5, T6, T47, sabendo que somente minha vontade e persistência não são suficientes, é a convivência quem irá me dizer…

  2. Ótimo texto Laura Henriques, mas a casos que a gente se arrepende de ter tentado até a primeira… rsrsrs!!!
    Ps: Sua coluna podia ser 2 vezes por semana.

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